10 Habilidades necessárias para um CTO

Encarar um cargo de CTO não é moleza. O Chief Technology Officer (diretor de tecnologia) é o cara que lidera a equipe de desenvolvedores de uma empresa, ou seja, está no nível de gestão e encara um time extremamente técnico e diverso.

Escuto as pessoas me perguntarem sobre mentoria de CTO e vejo que é possível sim ajudar profissionais a buscarem essa cadeira. Porém não existe receita pronta para desempenhar esse papel, mas existem competências determinantes.

Desta forma, vou listar algumas habilidades que eu particularmente acredito serem premissa para buscar essa cadeira e obter êxito positivo durante essa jornada profissional.

#1 Dizer não

Essa é a primeira aptidão que o CTO, como gestor, precisa desenvolver. Estar numa condição como essa, lidando com diversas pessoas, diversos cenários, diversos produtos e tendo acesso a inúmeras informações e sendo responsável por uma série de decisões, demanda uma postura estratégica.

Não dá para aceitar qualquer ideia ou qualquer situação, porque todas as decisões de um CTO impactam diretamente no negócio. É preciso considerar as restrições, os objetivos e as metas do negocio antes de qualquer sim ou não.

Mas, alto lá! Dizer “não” requer cautela e responsabilidade. Uma resposta negativa deve ser sempre propositiva, ou seja, acompanhada por novas sugestões, por justificativas e abrindo caminhos mais convenientes para as restrições encontradas. Caso contrário você só vai engessar e desestimular a criatividade da sua equipe. O não é dado pela voz do CTO, mas é necessário uma concordância com a equipe.

#2 Traduzir e questionar

O CTO é uma ponte entre vários públicos: fundadores, CEO, diretorias, arquitetura, execução, design, produtos, comercial, cliente e tantos outros que as características do negócio exigir. Ele deve fazer com que todos estejam conectados na mesma página. Por isso, ele deve ter a capacidade de diálogo.

Mas não é simplesmente saber conversar. É saber traduzir a tecnologia em negócio e o negócio em tecnologia. Falar sobre código com o cliente não vai fazê-lo entender sobre o resultado final da entrega, assim como falar sobre modelo de gestão não vai surtir efeito para a equipe de vendas, ou falar de venda para equipe técnica, por exemplo.

Como CTO, você deve ser capaz de entender a demanda, interpretar e influenciar a decisão. Não adianta um software muito bem desenvolvido se ele não atende a expectativa do cliente. É você quem vai enxergar o que é relevante e o que pode ser transformado em código, traduzindo para a tecnologia.

Por isso, o CTO precisa saber questionar. Só assim ele vai entender a demanda e saber quais passos tomar – se deve preparar o produto para escala ou se um software básico dá conta do recado, por exemplo.  E depois explicar isso, adaptando para diversos públicos.

#3 Fazer contas

Não adianta fugir. Fazer contas é essencial e requisito básico para um gestor. Se o CTO não souber calcular seus recursos, seus custos e seu tempo, ele não vai conseguir definir termos técnicos, nem medir o tamanho do negócio.

Também não saberá quantificar as ações de sua equipe, nem validar as melhores estratégias e menos ainda medir o impacto do trabalho realizado. Gestão se faz com base em números, que traz exatidão e objetividade. Só se tem um time produtivo a partir da gestão por números.

#4 Ser ousado

Uma gestão de risco pode ser feita de duas formas: conservadora, quando o líder sabe que o risco existe e tenta evitá-lo; ou criativa, quando o líder encara a situação e assume o risco de dar muito certo ou muito errado.
Essa segunda forma é por onde o CTO deve agir. Ele é o cara que vai olhar para a ideia, para o pouco tempo e para o pouco recurso e dizer: Vamos nessa! Mas, para chegar nessa ousadia toda é preciso exercitar a cocriação, a criatividade e a sensibilidade, transcendendo a tecnologia.
O desenvolvedor existe para resolver o problema das pessoas e é nisso que você, como diretor de tecnologia, deve pensar. Pense fora da caixa literalmente o tempo todo!

#5  Tomar a responsabilidade para si

Tenha em mente isso: Não importa o problema, a culpa é sempre do general!

A capacidade de se responsabilizar pelos seus atos e pelos da sua equipe anda junto com a ousadia, justamente por você estar na linha de frente das decisões e elas impactarem diretamente no negócio.

Tomar a responsabilidade para si leva o CTO a assumir, inclusive, os erros da equipe. Ou ele não entrou no momento certo, ou ele delegou a coisa errada. E perceber isso é saber se autoavaliar constantemente, com atenção e criticidade.

Você, enquanto líder é quem vai apontar o rumo para o time e, às vezes, esse rumo será longe. Por isso, é sua função preparar um design do caminho pensando nas pessoas, com cuidado e sensibilidade.

#6 Saber delegar

Delegar é a próxima tarefa do CTO, depois que ele aponta o rumo e direciona a equipe para um caminho. E não é uma tarefa fácil. É um exercício de confiança no outro e, ao mesmo tempo, um exercício de ensinar e mentorar.  

Para isso, precisa ter clareza na direção, precisa dar autonomia para a pessoa se empoderar e dar o melhor de si, precisa dar margem para a pessoa errar (porque é assim que ela vai aprender) e precisa saber também o que não delegar e quando intervir.

Se você faz sua equipe brilhar, então você está fazendo um bom trabalho. Se ela brilha, o trabalho rende muito mais e os resultados são muito mais expressivos. Mas, ao contrário, se o time não está indo bem, é porque você como líder está falhando.

#7 Servir ao time

É muito fácil enxergar o CTO como alguém que olha para fora ou que faz o papel da ponte. Mas, na verdade, ele também é um removedor de obstáculos. Se o dev está travado na execução, ele está lá para ajudar a destravar. Se alguém precisa tirar dúvidas, ele está lá para isso. Se a galera da segurança está na mer* devido a um vazamento de dados ele está lá parar apoiar.

De modo geral, o diretor de tecnologia tem que servir o time e não o time a ele. Se as pessoas estiverem em função dele, ele não vai dar conta de responder tudo.

Se o CTO se coloca a serviço de sua equipe, ele vai enxergando e removendo os obstáculos do fluxo de influência, para que todos consigam trabalhar na normalidade e caminhar sem grandes estresses.

#8 Gestão por acabativa

Essa palavra “acabativa” não existe, mas acabarei escrevendo um livro sobre isso!

Atue junto aos times fazendo-os entender a importância de começar e terminar algo, ou seja, entregar – acabar. Muitas vezes é comum ver equipes entrando em looping ou até mesmo estar com os 99% concluídos e faltar “só uma coisinha”. Isso é muito importante! É preciso fazer com o que o time tenha o espírito focado na “qualidade apple”: faça algo, mostre pronto, tenha um produto de fácil uso e mostre a todos que vocês concluíram! E o mais importante: não apareça nessa hora viu CTO, deixe o time a frente!

#9 Curtir a jornada

Quando reclamar faça de forma rápida e volte ao jogo! Esteja feliz com o que faz e reflita isso (com verdades). Se um dia perder este tesão, pule fora!

Equilibre a vida profissional e pessoal, faça disso uma coisa só. Combine com seu time que a missão é você CTO não trabalhar sextas a tarde. Parece brincadeira, mas se um dia isso acontecer, você está no lugar certo e seu time está a frente!

#10 Inspirar os outros

Quando estamos numa posição de destaque, é natural que nos tornemos referência para outras pessoas, principalmente se tratando de chefia.

Bons líderes inspiram suas equipes de diversas formas, desde ser uma pessoa melhor até alcançar o mesmo patamar de trabalho. No caso do CTO, muitos profissionais da equipe aspiram este cargo e se espelham em seus diretores para isso.

Mas essa capacidade de exercer influência positiva na vida de alguém deve acontecer de modo natural. Não com palavras e motivação barata, mas pelo comportamento, pela maturidade, pelas atitudes do dia-a-dia. Quando é uma motivação verdadeira, as pessoas crescem.

Significa que você está exercendo na vida aquilo que acredita e que suas ações refletem o que você realmente pensa.

Não espere palmas, você não está em um teatro ou concerto de música.

Já deu para perceber que atuar como CTO não é nada fácil, não é? Mas é muito prazeroso colher bons frutos desse trabalho quando você age com respeito por sua equipe, sabedoria e estratégia.

Então, BORÁ!

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