Mercado Tech: breve análise 2023

Quando pensamos em startups, quase imediatamente associamos o conceito ao Vale do Silício (Silicon Valley), nos Estados Unidos. É lá que estão as empresas mais inovadoras e mais valorizadas do mundo como Google, Apple, Facebook, Twitter, Netflix e muitas outras.

O Brasil ocupa a 10ª posição entre os países com maior quantidade de startups, contabilizando 1.163 empresas neste modelo de negócio, de acordo com a StartupRanking.

Em um paralelo com o Vale do Silício, guardada as devidas proporções, a cidade de São Paulo é reconhecida como o epicentro da inovação e tecnologia, figurando na 16ª posição entre os melhores lugares do mundo para o desenvolvimento de startups, à frente de outras grandes cidades como Washington DC (EUA), Singapura (Malásia) e Toronto (Canadá).

Desde 2017 vivemos no mundo um período muito positivo de investimentos nas startups, porém a realidade deste final de 2022 e certamente 2023 irá mudar, e mudar drasticamente.

Para se ter uma ideia, a crise nas startups está levando executivos do alto escalão e de média gerência, egressos de empresas tradicionais e contratados no período de bonança, a fazer o caminho de volta. Esse movimento vem ocorrendo no setor financeiro, em seguradoras, bancos, empresas de tecnologia e também em segmentos ligados à educação. Eles têm retornado para ocupar cargos de diretoria e gerência nas áreas de finanças, comercial, recursos humanos e marketing.

Para que as startups sobrevivam será necessária muita adaptação. Na história recente, três a quatro anos atrás, os investidores / fundos colocavam o dinheiro de forma anteipada para que a startup “rampasse” e gerasse resultados. Agora os investidores estão focados a investirem somente em startups cujo a eficiência e performance sejam, não só controlados, mas comprovados.

De 2012 até 2020 os fundos se preocupavam menos se “a coisa” investida estava certa, e com isso investiam em “muitas coisas”para fazerem vários testes até conseguirem fazer com que seu dinheiro investido voltasse 10x mais. E claro, este movimento se comprovou uma grande roleta russa de investimentos.

O sucesso do mercado de investimentos depende de equilíbrio, é como houvesse um pêndulo onde a estrutura e sonhos precisa estar em equilíbrio com a performance e resultados.

Por exemplo, quando pegamos as bigtechs, o Google possui dois grandes serviços – Google Search e Youtube – que são extremamente saudáveis gerando na casa de $ 80B de receita líquida, e mesmo assim suas ações neste final de 2022 estão caindo. Fato é, os investidores pararam para observar que mesmo com alta receita, não é mais necessário pagar 3x mais nos salários dos funcionários em relação a média de mercado, não é mais necessário pegar uma fatia de $ 20B desta receita e sair investindo em novos negócios que mal sairam do papel. Em resumo, a palavra é: vamos adequar nossa estrutura ao mercado e parar de “brincar” de comprar startups. E quando empresas como Google começam o movimento, certamente esse tipo de movimento desce para as demais techs do mundo.

Outro exemplo, é o que Elon Musk está fazendo com Twitter. Pode falar o que for do cara, mas o mundo inteiro está de olho neste experimento que ele tem feito no Twitter. Comprou um negócio de baixa receita líquida e alto custo de estrutura. Musk já chegou demitindo, enxugando e adaptando custos e fazendo testes para ver se o negócio se mantem de pé. Muitos os chamam de louco, mas essa política de “colocar medo na companhia” talvez seja o único caminho para o Twitter se tornar rentável a ponto de retornar o valor de compra. Aqui no Brasil temos exemplos assim em empresas “mais conservadoras” como o grupo 3G (Garantia).

No Brasil, o cenário de Tech em 2022 está ruim, e em 2023 vai piorar. Ainda há muita empresa (startup) se mantendo de pé queimando caixa obtido em rodadas anteriores. É possível que estas empresas tenham caixa até meados de 2023 e com isso precisem voltar ao mercado em busca de novas rodadas de investimento. O fato é: não terá mais dinheiro disponível. O motivo está vinculado ao aumento de custo capital, alta de juros nos EUA, alta de risco de mercado e principalmente a avaliação criteriosa por parte dos investidores. Não haverá mais investimento em ideias “sem pé nem cabeça”. Para obter novas rodadas de investimentos, as startups terão que comprovar um plano saudável a longo prazo (mínimo 5 a 10 anos), uma maior solidez no mercado, uma performance comprovada.

Por fim, as fusões e M&As se tornarão mais escassos, já que estudos, por exemplo, de Harvard, mostram que empresas que compram outras empresas para aumentar seu portfolio obtém sucesso inferior a 20%.

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