Inovação: as diretrizes sugeridas pela ISO 56.002

Passados alguns anos trabalhando diretamente com inovação, mais precisamente os últimos 6 anos (desde 2014 até 2020), consigo ter clareza e entrar em boas conversas sobre o tema. Uma das coisas que sempre falo em reuniões, palestras e bate-papos é que inovação está totalmente ligado a criatividade e que criatividade com valor é inovação. Todo o resto é invenção.

Durante este tempo me especializei, coloquei muita coisa em prática e descartei outras várias. É fácil encontrar pessoas falando de Design Thinking, Jornada de usuário, User Experience e outros vários recursos. É fato que todos estes recursos buscam engajar as pessoas a criar novas ideias.

Porém, o contrário da facilidade de encontrar pessoas falando do tema é extremamente difícil encontrar pessoas e empresas que colocaram de fato em prática e deram continuidade aos processos e métodos. Apesar de toda a empolgação do momento, a descontração das pessoas e aquela sensação maravilhosa de que é possível, a maior parte das ideias colocadas em post-its, nunca saíram de lá. Elas simplesmente viraram lixo alguns dias, semanas ou até meses depois.

Em conversas que vejo sobre o tema e métodos utilizados posso garantir que mais de 70% o resultado é: frustração. Para exemplificar, eu recebo acionamentos de pessoas que “possuem ideias ‘inovadoras’ e que gostariam de conversar comigo”. Em todas as conversas há um comportamento em comum: o medo de me contar a ideia. Sempre digo as pessoas que me procuram com o propósito de escutar o que eu acho da ideia para que fiquem despreocupadas, pois a distância entre INVENÇÃO e INOVAÇÃO (Tirar ideia da cabeça e transformá-la em negócio) é gigante e depende de muitos fatores. A ideia é só 10% de todo o processo.

Ninguém fica rico com ideia, fica rico com muita ação, frustração e continuidade.

Muitas vezes, vejo que há recursos financeiros disponíveis, gente disposta a fazer acontecer, capacidade técnica e tudo o que aparentemente julgamos necessário para colocar aqueles insights geniais em prática. Mas, por algum motivo nada daquilo era suficiente para transformar ideias em resultados. Hoje consigo arriscar dizer o porque: PROCESSOS e TOMADAS DE DECISÕES CORRETAS.

Eu como um pessoa com um lado pessoal e profissional bem processual e adaptativo, vejo que uma das formas de obter sucesso com inovação (além da sorte, time correto e competência dos envolvidos) está ligado totalmente em adaptar metodologias e processos para dar continuidade ao negócio até que ele saia da ideia e se transforme um valor comercial.

Mas a pergunta é: se a empresa que trabalho ou eu não tenhamos essa visão processual e adaptavida, o que posso usar como referência?

A ISO após 11 anos de pesquisas sobre as melhores práticas de inovação dos 164 países membros da ISO, que é uma organização sem fins lucrativos sediada na Suíça, lançou em julho de 2019 a ISO 56.002.  Um grande diferencial dessa norma em relação às mais conhecidas, como a ISO 9.001 (qualidade), a 14.001 (meio ambiente), e a 45.001 (saúde e segurança ocupacional) é que essa é uma norma de diretrizes e não de requisitos, por isso, sua numeração termina com o número dois, 56.002.

A ISO entendeu que não existe receita de bolo para implantar uma norma ISO de inovação. E eu concordo plenamente e vi na prática issoa acontecer. O que funciona muito bem em uma empresa pode não funcionar em outra. Por isso, além de conhecer muito sobre normas, quem faz a implementação precisa saber muito de inovação, para que consiga criar projetos que efetivamente tragam resultados.

Vou confessar para você. Eu tenho aversão a ISO, principalmente no Brasil. Isso porque várias empresas brasileiras fazem todo o processo para adquirir a ISO e não dão continuidade. É o famoso “fiz neste momento para cego ver”, depois a cegueira volta.

Porém, o que gostei do que vi na ISO 56.002 é que em vez de requisitos, a ISO 56.002 aponta diretrizes calcadas em oito pilares:

  • gestão de risco;
  • geração de valor;
  • direcionamento estratégico;
  • liderança visionária;
  • cultura adaptativa;
  • resiliência;
  • gestão de insights, e;
  • gestão por processos.

Depois de concluído o processo de implementação, um auditor de uma empresa certificadora avalia quais são as iniciativas da empresa dentro desses pilares a partir de evidências. Oportunidades de melhoria também são apontadas, como forma de fazer com que a empresa realmente se beneficie do processo.

Mas vale a pena? Eu acredito que sim! Porém, a mesma ferramenta ou processo que constrói pode destruir; depende da intenção, habilidade e destreza de quem a utiliza.

Espero ainda implantá-la em algum momento em minha carreira profissional. Até os dias atuais desde o seu lançamento ainda temos poucas empresas certificadas, mas já é um excelente passo!

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