A gente morre…

Já pulou da cama?
Já observou que os defeitos que você tem são pequenos perto da gratidão de viver?
Já contabilizou o tão quanto sua vida já passou?

Que tal pensar neste novo dia que se abre?
Esse dia é unico, não voltará mais.
Mesmo se um dia com chuva ou frio vá aproveitar seu dia!

Cada um aproveita de uma forma,
mas lembre-se:

A gente morre e fica tudo aí.
Os planos, projetos, e as tarefas da casa;
as dívidas e os investimentos;
as parcelas da casa, a própria casa;
o carro que teve mais manutenções que você;
a TV Smart e o celular que não desgrudamos;
As redes sociais sem atualizações e novos filtros.

A gente morre sem sequer lavar as panelas;
o prato fica na mesa; 
as frutas apodrecem, a roupa fica no varal;
as torneiras abertas e os lixos sem retirar.

A gente morre, vira pó ou se mistura a terra;
A gente some e toda a importância que pensávamos vai embora; 

A gente morre, mas outras vidas precisam continuar;
as pessoas superam e seguem suas rotinas nos dias que lhe restam, afinal elas também vão embora. 

A gente morre e todos os grandes problemas que achávamos que tínhamos se transformam em um imenso vazio, afinal não existem problemas onde não há vida. 
Os problemas moram dentro de nós e morrem conosco;
ou nos fazem morrer.

A gente morre e o mundo continua complexo, as políticas continuam, a indeferença que lutamos continua pelo egoísmo do homem em viver;
nossa presença ou ausência não fazem mais diferença.
É verdade, não fazemos diferença. 
Vivemos nos esquecendo de que a morte é a única certeza.

A gente morre, pois é. É bem assim: suspirou, morreu.

O cachorro é doado e se apega aos novos donos. Será uma questão de sobrevivência e não pq ele deixou de lhe amar. 
Os viúvos se casam novamente, fazem sexo, andam de mãos dadas, assistem séries e jantam juntos. Também brigam, mas espera-se a paz para continuar vivendo os dias que lhe restam. Quantos dias?

A gente morre e somos rapidamente substituídos no cargo que ocupávamos na empresa. As coisas que sequer emprestávamos no dia a dia são doadas, algumas jogadas fora; mas todas serão esquecidas.

Quando menos se espera, a gente morre. Aliás, quem espera morrer?

Mas, talvez, se a gente esperasse pela morte, a gente vivesse melhor. Curtisse mais a jornada porde onde passamos.

Talvez a gente colocasse nossa melhor roupa hoje, talvez a gente comesse a sobremesa antes do almoço e risse de piadas idiotas. Talvez a gente abrisse o presente no momento da compra para usar ali mesmo.

Talvez a gente esperasse menos dos outros. Talvez a gente entendesse que somos responsáveis por nós mesmos, e não é culpa de alguém por quem nos tornamos. Pelo nosso SER.

Se a gente esperasse pela morte, talvez perdoasse mais, risse mais, saísse à tarde para ver a simples luz do sol ou escutar os barulhos que o mundo produz. Mesmo com o choro da natureza.

Talvez a gente quisesse mais tempo e menos dinheiro.

Talvez a gente quisesse mais SER ao que TER.

E agora que temos tempo? O que temos feito com ele?

É, mas sem talvez, o tempo voa, e a gente morre.

Fernando Parreiras

Um comentário em “A gente morre…

Adicione o seu

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: