TEDx TALKS: Fiz uma palestra com o tema SER

O que as mais valorizamos em nossas vidas?

Se é certo que cada pessoa sente e valoriza coisas diferentes, também é certo que tais escolhas e valores são marcados pela cultura, pela época, lugar que vivemos, pela sociedade a qual fazemos parte e ultimamente somos extremamente moldados com os meios digitais que temos convivido nos últimos tempos.

Nessa sociedade contemporânea, chamada sociedade de consumo, podemos dizer que o valor dominante é atravessado cada vez mais pelo discurso do TER e não do SER. Ter coisas, objetos, propriedades, posses, mercadorias, dinheiro, status, poder. Ter carro do ano, roupa de grife, o celular mais moderno, a melhor foto nas redes sociais.

Quando cruzamos isso ao lado profissional, sabemos que o trabalho bem remunerado é mais valorizado que o trabalho que traz satisfação, afinal, a sociedade nos ensina que o trabalho deve proporcionar ao indivíduo meios para TER e não para tornar-se o que se É.

Como na fábula O Pequeno Príncipe de Saint-Exupéry, onde o principezinho se depara com personagens que absorvidos demais por seus afazeres diários e crenças pessoais não conseguem enxergar nada além de si, assim a sociedade atual é marcada cada vez mais pelo individualismo, arrogância e egoísmo.

É incrível como esta fábula de 1943 reflete tão bem nossa atualidade com personagens tão cheios de simbolismos. Na fábula temos o rei, que apesar de isolado tenta manter seu status e continua fingindo dar ordens. O vaidoso, que só escuta o que lhe agrada e se fecha em si mesmo. O contador, que só pensar em possuir, acumular mesmo que não entenda o propósito ou finalidade de tais objetos. O acendedor de lampião, que apesar de uma ocupação útil está tão absorvido por esta que não vê a vida passar. E o sábio, que apesar de muito conhecer, pouco sabe do que se passa ao seu redor.

O principezinho olha tudo com estranhamento e se espanta ao concluir como “nós adultos” damos importância a coisas que são inúteis, e como tudo isto nos leva a solidão, ainda quem em meio às centenas de pessoas.

A diferença entre Ser e Ter é que o Ser é o que você é, é o que você acredita, são nossas crenças e nossos valores que formam nossa identidade.Já o Ter são exterior a nós, é algo desejado, ou não, que quando adquiridos mudam, moldam o Ser.

E quando paramos para pensar que se passaram tantos anos e não evoluímos ainda neste sentido do SER, e o mais preocupante é quando cruzamos com o paralelo da sociedade cada vez mais consumista. Estamos deixando de SER por crenças e valores e procurando moldar o SER através do TER, basta observarmos os comportamentos nas redes sociais (exibicionismo, comparações, competições em ser melhor mesmo que não seja baseado em verdades).

Quando paramos para pensar e analisar o que falta conquistarmos, algo que desejamos SER ou TER, não nos atentamos aos detalhes. Não percebemos que o TER é algo relativo que pode ter prazo de validade, por um tempo determinado ou acabar quando menos esperamos. Enquanto que o SER é consistente e duradouro.

A sabedoria em se preparar para SER deve ser maior do que TERTER será a consequência do SER.” Gandhi

E esse tema de SER x TER em paralelo com as evoluções e transformações tecnológicas, o excesso de informações, os novos meios digitais e as redes sociais podem influenciar de forma cada vez mais negativa em nossa sociedade. Para que isso não aconteça será necessário irmos um pouco em contramão com a evolução do mundo, sermos mais humanos e menos robôs.

E para entender quem SOMOS e não nos deixarmos o “mundo nos poluir”, precisamos entender os estágios de nossa vida como SERES HUMANOS. Para isso, tenho cruzado estudos de Antroposofia  que é uma linha de pensamento criada pelo filósofo Rudolf Steiner que entende estabelece uma espécie de “pedagogia do viver”. A Antroposofia compreende que o ser humano tem que conhecer a si para também conhecer o Universo, pois somos todos parte e participantes desse mundo com sentimentos.

Dentro desse pensamento filosófico encontra-se uma forma cíclica de ver a vida chamada “teoria dos setênios”. Tal teoria foi elaborada a partir da observação dos ritmos da natureza, da natureza no sentido da vida, na qual todos nós estamos imersos. Ela divide a vida em fases de sete anos, vale lembrar que o número sete é um número místico dotado de muito poder em quase todas as culturas conhecidas.

Mas o que isso tem a ver com a palestra do TED? Tudo! Ao refletir sobre o mundo tecnológico atual, a individualidade das pessoas, o consumismo em excesso, o isolamento das relações de amor e biológicas, observamos que estamos cada vez nos transformando em TER ou invés de SER.

Como exemplo, vamos pegar uma criança de 0 a 7 anos que encontra-se no Setênio do O NINHO – Interação entre o individual (adormecido) e o hereditário. O primeiro setênio deve oportunizar o movimento livre, a corrida, as brincadeiras, deve permitir que a criança teste e conheça seu corpo, seus limites e suas percepções de mundo. É entendido que na primeira infância a criança tem que perceber os aspectos positivos do mundo, para quererem estar aqui e cultivarem a felicidade em longo prazo. Então, farei algumas perguntas sobre este exemplo:

  • Crianças nesta idade usam celular ou tablets conectados na internet?
  • Crianças nesta idade usam mais meios digitais que comparados a brincadeiras livres e que permitem conhecer e trabalhar a evolução do seu corpo?
  • Crianças neste idade tem acesso a redes sociais que mostram o coleguinha com um tablet ou um viagem melhor que ele, mas a postagem não consegue explicar a essa criança que felicidade está em SER e não em TER?

Bem, se 2 das 3 perguntas acima forem SIM, temos um problema social que precisamos trabalhar em prol de resgates humanos.

Agora, vamos pegar um segundo exemplo para nossa reflexão. Um(a) adolescente que está no setênio 14 a 21 anos – puberdade/adolescência – crise de identidade. Esse setênio é marcado pelos questionamentos e choques. É o momento de questionar a tudo e a todos. O caminho contrário do “habitual” pode ser exclusivamente para reforçar a tensão. É importante que saibamos que é uma fase extremamente difícil, onde o adolescente precisa negar e se opor, para que, a partir da percepção do que não é, encontrar-se a si mesmo.

Então, no exemplo acima, pare para pensar em como um adolescente por ser influenciado pelas redes sociais e tecnologias e não encontrar o seu ser. Bem, sabemos que a tecnologia é um caminho sem volta, mas é importante que saibamos a necessidade de trabalhar no resgate de nós humanos em prol de trocar likes por abraços.

Há, e sobre a palestra em si do TEDx: Muito foda! Experiência diferente, mesmo para quem já fez centenas de turmas de treinamentos e palestras para pequenos e milhares de pessoas. Eu decidi me desafiar escrevi a palestra dois dias antes, não usei fotos, sons ou vídeos de alto impacto. O objetivo era fazer uma palestra de fundo preto e poucas palavras, afinal, um TEDx precisa ser muito desafiador.

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